Artigo da Semana
O MARELLO, ÍNTIMO A DEUS E ALEGRE
Pe. José Antonio Bertolin, osj
São José Marello reservava uma atenção especial para a intimidade com Deus e desta forma esta governava a sua própria vida, pois o seu coração apaixonado por Deus estava sempre alerta às manifestações de Deus no seu cotidiano como está o sentinela na trincheira atento aos mínimos movimentos. A união com Deus para ele era-lhe tão indispensável como o era o alimento ou a respiração para o seu corpo. Pessoas que conviveram com ele, tais como o Pe. Luis Garberoglio, testemunham que o Marello vivia de um modo tal que “ percebia-se que ele vivia sempre na presença de Deus, com o devido respeito à Majestade Infinita, e ao mesmo tempo com a simplicidade e com a confiança de um filho amoroso diante do Pai” (Positio super virtutibus pg 229).
Evidentemente que tendo em seu coração humano um enorme coeficiente de dilatação na busca de Deus, tinha também uma capacidade admirável para amar o próximo ao qual sabia sempre derramar a caridade de Cristo, o que proporcionava à sua alma uma especial finura para amar Deus e testemunhá-lo com os olhos límpidos e com o seu coração vibrante, e assim “falava de Deus com tanto entusiasmo e com um coração tão alegre, que deixava transparecer tudo isso, pela expressão do seu rosto”(Ibid pg 147).
A alegria que o Marello transmitia era fruto do amor de Deus que ele saboreava, e do amor que ele transmitia com afinco, por isso era alegre, mesmo no meio das grandes contrariedades pelas quais passava. Para o Marello a alegria era-lhe algo natural, porque esta é uma propriedade essencial da mais importante virtude de alguém enamorado de Deus, é como um dos frutos do Espírito Santo que se possa possuir, ou seja, o amor. Assim sendo ele sentia que era necessário demonstrar também exteriormente a alegria tanto quando encontrava-se a sós, como em companhia de pessoas, pois isso proporcionava-lhe a sua própria felicidade, como também a felicidade dos outros.
A alegria verdadeira como a expressava o Bem-aventurado José Marello tinha a sua origem na intimidade com Deus; não era portanto conseqüência de um bem-estar material ou passageiro. Não supunha a ausência de dificuldades em sua vida e nem tão pouco dependia de seu estado de saúde, pois sabemos que nada destes requisitos ele possuía. A origem e a fonte de sua vida alegre e afável estava em Deus e no conseqüente cultivo do amor.
O exercício de manter-se sempre calmo, sereno e alegre era-lhe uma das condições para o serviço ao Senhor, pois sem a alegria não é possível ao cristão ter uma vida espiritual autêntica, e tão pouco manter acessa a chama da vida cristã. Ele tinha como empenho viver sempre alegre, servindo ao Senhor na alegria, em mostrar-se sempre tranqüilo e sereno, embora tantas vezes a tempestade enfurecia em seu coração. “Nunca rugas na testa, dizia ele, nunca severidade excessiva, nunca tristeza no coração.
Este exercício de alegria, na busca de um coração sempre alegre, doce e sereno procurando estar sempre contente mesmo nas tribulações fundamenta-se portanto na íntima comunhão com Deus; de fato ele ensinava que “ a união da nossa vontade a Deus deve ser o nosso único trabalho na terra, como aprendizado de união perfeita que culminará no céu. Tudo o mais deve depender dela” ( C 88). Na verdade os frutos de santidade que o Marello tão bem soube colher durante a sua vida foram conseqüências de seus esforços, os quais, porém recebiam as luzes e as motivações hauridas na pessoa de São José que era-lhe o modelo de vida, ele que nas prática das virtudes humildes e obscuras mantinha-se sempre calmo, sereno e tranqüilo, observando entretanto perfeita conformidade com a vontade Divina” (E 228).
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