SÃO JOSÉ MARELLO E A
DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
Ano Marelliano - Artigo da Semana
Pe. Alberto Trevisan, osj
José Marello sempre teve, pelo Sagrado Coração de Jesus, uma devoção teneríssima e empenhou-se em cultivá-la intensamente nos seus discípulos e de difundi-la entre os fiéis.
Queria que o mês de junho, dedicado de modo particular ao Sagrado Coração de Jesus, fosse celebrado na igreja de seu Instituto com orações e celebrações particulares. A festa do Sagrado Coração de Jesus era celebrada, por sua iniciativa, com uma solenidade sem precedentes, aos pés de Jesus Sacramentado e culminava com uma devota procissão eucarística pela alamedas e pátios do Instituto. Aquele era um dia de triunfo para o Coração de Jesus. E o Marello o gozava imensamente no mais íntimo de sua alma.
Além disso, em Asti, José Marello havia promovido a piedosa prática das nove primeiras sextas-feiras de cada mês, colocando os seus sacerdotes e ele próprio à disposição dos fiéis, para que pudessem aproximar-se dos santos sacramentos e assim conquistarem o direito à grande promessa feita pelo Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque. Os documentos da Igreja (por exemplo: “Haurietis aquas in gaudio”) insistem sobre a finalidade desta devoção: levar a vida cristã ao essencial, centrar a nossa vida e a nossa fé no ponto essencial do cristianismo. O cristianismo é do princípio ao fim um mistério de amor. Ser cristão significa crer definitivamente no amor de Deus por nós e consentir a este amor expandir-se e suscitar uma resposta de amor.
Quando nós falamos do Coração de Jesus, daquele Coração que tanto amou os homens e que em troca recebe deles ingratidão e desprezo, entendemos falar da sede dos afetos do Senhor Deus. Toda a vida de Cristo, da manjedoura de Belém à cruz do Calvário, é um ato de amor: nasce por amor de uma flor virginal; por amor institui a Eucaristia (Sacramento de Amor!); por amor se aproxima dos pecadores; por amor elege os seus apóstolos; por amor perdoa os nossos pecados; por amor faz milagres e prodígios; sobre o amor funda a sua Igreja e por amor se oferece, todos os dias, sobre o altar.
“O Coração de Jesus - escreve o Marello - é como um imã: do mesmo modo que o imã atrai e une a si o ferro, quando lhe está próximo, assim o Coração de Jesus atrai e convida a si os nossos corações, se tivermos o cuidado de manter-nos perto Dele”. Deus é bom e grande no amor! Mas é somente em Cristo que Deus manifestou-se plenamente “amor”.
Eis porque o Sagrado Coração de Jesus tornou-se para São José Marello objeto quotidiano de meditação e de pregação; e também quando escrevia a algum seu amigo sacerdote, terminava assim: “... sou no Coração Amorosíssimo de Jesus, teu...”
“Para amar verdadeiramente o Coração de Jesus - dizia - não basta que Lhe digamos em palavras, mas devemos praticar as obras, devemos imitar este Coração Divino tomando-O como nosso exemplo e modelo... Ofereçamos a Jesus o nosso coração todo inteiro e Ele colocando-o no seu Coração destruirá tudo aquilo que ele tem de mal, purificando e apefeiçoando quanto possa ter de bom”.
Quem não ama Deus, não pode amar o próximo sem o amor divino. Quem ama a criatura pela criatura está fora do caminho; vai, ao invés, pelo bom caminho quem ama a criatura pelo Criador. O todo contém a parte. Quem ama a criatura, ama uma parte e psicologicamente não é saturado. Que ama o Criador, ao invés, ama tudo e todos e vive na felicidade plena. Só quando entramos nesta lógica, teremos a alegria de escutar o concerto do amor divino em nós mesmos.
São José Marello, atraído em admiração à contemplação do Coração de Jesus, buscava imitá-lo fielmente, copiando em si com diligência todas as virtudes, e especialmente a humildade e a docilidade.
O Divino Mestre, por sua vez, o unia pouco a pouco a Si determinando um contínuo fluxo de graças do Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, ao coração do servo fiel que tendia à santidade com todas as suas forças, Onde, o seu espírito sempre mais se enriquecia e se embelezava, irrradiando ao redor esplendor de virtude e de graça. Sobre a primeira e sobre a última página da vida terrena do homem está escrito: Deus nos ama e nos salva em Cristo, e o nosso eterno destino é sermos felizes em plenitude do Amor que é Deus.
Artigo publicado em JOSEPH, n.6,ano 59, jun 1981, p.09
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