O MARELLO NA VIVENCIA DA HUMILDADE

Artigo da Semana

O MARELLO NA VIVENCIA DA HUMILDADE

Pe. Severino Dalmaso, osj

            A Igreja sempre reconheceu ao longo dos séculos os valores exemplares dos santos e particularmente nos últimos anos deste nosso século que termina e sob o pontificado do Papa João Paulo II, ele intensificou o seu empenho em reconhecer e declarar a santidade  e o heroísmo de um considerável número de cristãos das mais diferentes categorias e situações que testemunharam os valores evangélicos com o empenho de seguir Jesus Cristo.
Junto a esta plêiade de homens e mulheres que marcaram a história e as vidas de pessoas e instituições revelando ao mundo a beleza do amor vivenciado e fascinados pelo amor a Deus e ao próximo, está o Bem –aventurado José Marello, bispo e Fundador da Congregação dos Oblatos de São José, o qual tem o seu processo de canonização quase finalizado e para ele particularmente a família Oblata aguarda com alegria o reconhecimento oficial de sua santificação pela Igreja.
Os santos refletem em suas vidas a santidade cristã e a força da graça de Deus. São pessoas que partilham conosco as  mesmas dificuldades e ensinam-nos que apesar destas é possível manter-se fiéis a Deus, assim como impulsionando-nos para imitá-los em nossas vidas, questionando-nos em nossa mediocridade.
Sabemos que os caminhos de Deus são muitos e portanto variados, e o Marello trilhou um destes tantos caminhos procurando semear em suas margens preciosas sementes que germinaram e produziram lindíssimas flores multicolores as quais embelezaram o jardim dos santos e continuam todavia hoje suscitando admiração naqueles que procuram manter-se fiéis à verdade, esforçam-se no exercício do bem  e conservam o coração firme na confiança em Deus.
Uma das valiosas sementes cultivadas pelo Marello é aquela da humildade. Esta para ele não é uma propriedade dos fracos ou incapazes, mas é por excelência a virtude dos fortes porque esta permitiu-lhe que realizasse o projeto de Deus em sua vida através de um intenso trabalho espiritual onde a sua força de vontade foi um fator preponderante. De fato ele mesmo terá para si a convicção e fará o esforço de que era necessário ser dono da própria vontade  não ancorando-se nos próprios  juízos e opiniões, mas buscando sempre a vontade do Senhor. Esta característica foi básica na  formação espiritual do Marello desde o seu período seminarístico,  desde quando tomou como compromisso de sua vida o seu “nunc coepi”, agora começo, valorizando a  preciosidade do momento, e assim com o seu empenho e sempre humildemente confiando na  Providência Divina tinha a certeza de que mantendo a meta  fixa “ainda que o céu venha abaixo, é preciso olhar para ela, sempre para ela” (C 10).
Toda a vida do Marello, particularmente no exercício  do ministério pastoral e diante dos desafios da sua nascente Congregação foi sinalada de gestos concretos de humildade, buscando inteiramente cultivar o valor das coisas mais simples e crente de que tudo o que fazia não passava de sua obrigação diante de Deus. A forma o suporte de seu caminho à santidade, estava a humildade a qual não era simplesmente uma manifestação exterior de atitudes, mas acima de tudo algo profundo que resultava num conjunto de sentimentos interiores com a aceitação serena dos próprios limites que o permitia de  sufocar o amor próprio que tornava-lhe um grande remédio contra as tentações.
Esta virtude característica na vida e nas atitudes de nosso Bem-aventurado indica o nível de seu equilíbrio e maturidade humana  cristã. Ele tinha como indicação para  a sua vida de “não falar jamais de si, nem no bem e nem no mal, porque também falar mal de si pode ser  resultado de soberba”.  Desta forma a virtude da humildade delineava-se na sua existência como algo constitutivo do seu ser e num esforço contínuo para vivencia-la, seguro de que com ela sentia-se seguro nas mãos de Deus. Assim como “os peixes, quando encontram-se nadando à superfície da água, correm um perigo maior de serem presos pelo anzol ou pelas redes, mas quando mergulham na profundidade, dizia ele, então se encontram seguros; assim devemos mergulhar-nos na profundidade da humildade”.  Em suma, esta virtude foi para o  Marello uma alavanca preciosa que permitiu-lhe de realizar perfeitamente o plano de Deus a seu respeito e tudo isto mediante o exercício constante de sua vontade, o qual sempre ocupou um lugar de importância em sua vida.


Tradução Pe. José Antonio Bertolin, OSJ

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