JOSÉ MARELLO E A SUA CONGREGAÇÃO

Artigo da Semana
Ano Marelliano

JOSÉ  MARELLO E A SUA CONGREGAÇÃO

Pe. Vito Calabrese, osj

O Fundador dos Oblatos de São José guiou diretamente a sua Congregação de 1878 a 1888. Durante os anos de episcopa­do serviu-se do trabalho do Pe. Cortona. De um relatório do Pe. Cortona ao Bispo de Asti, D. Arcangeli, apresentado em 29/05/ 1900 (cinco anos depois da morte do Fundador), resulta que a Congregação era composta por 20 sacerdotes, 24 clérigos, 22 noviços, 13 irmãos, 29 seminaristas, num total de 108 membros, distribuídos em algumas casas que o instituto possuía na cidade e na região de Asti.
Se D. Marello não tivesse lançado sólidos fundamentos para sua instituição, dificilmente a obra teria continuado a sua ativida­de depois de sua morte. Para os seus filhos ele havia idealizado um programa heróico: a prática dos conselhos evangélicos na imitação de São José era entendida como propósito para perma­necer na Congregação operando escondida e silenciosamente. Este ideal era traduzido na prática com o apostolado do catecis­mo, da pregação, da administração dos sacramentos, com a di­reção espiritual, em auxílio das dioceses, ou seja, da Igreja. Era este o modo mais indicado para serem operosos e ocultarem-se ao mesmo tempo sob a autoridade eclesiástica.
Os filhos de São José deveriam ser conscientes de abra­çar uma congregação humilde. O seu trabalho deveria redundar diretamente à glória de Deus. A humildade, o escondimento, a pobreza deveriam ser virtudes não só de cada religioso, mas de toda a Congregação. ( ... ) "O barulho não faz bem, e o bem não faz barulho", gostava de dizer Dom Marello, ensinando aos seus filhos que a religioso josefino não só deveria esconder o seu tra­balho na sombra da Congregação, mas a Congregação na som­bra da Igreja.
Os filhos do Marello demonstraram com a sua conduta ha­ver bem aprendido a lição de seu Pai. Em muitos lugares, depois de terem tido sucesso com a educação da juventude com a obra dos oratórios festivos, depois de terem dado consistência às obras paroquiais, se retiraram humildemente quando julgaram que a sua obra não era mais indispensável.
No Brasil, vale lembrar a cessão feita pelos Oblatos de São José da Catedral de Nossa Senhora de Lourdes em Apucarana ao bispo da diocese. A autoridade eclesiástica pediu à Congrega­ção para colocar à disposição da nova diocese brasileira a paró­quia e o tempo que custou imensos sacrifícios aos missionários josefinos. Também daquele vez os filhos do Marello, depois de terem criado uma grande obra, se retiraram na sombra, satisfei­tos por virem ao encontro das necessidades da Igreja.
É provável que a algum leitor venha à mente esta interroga­ção: "Se José Marello tivesse vivido mais tempo, a Congregação não teria tido um maior desenvolvimento?". O Fundador mesmo estava convicto que, dado o ideal altíssimo de humildade propos­to aos seus filhos, a obra se desenvolveria muito lentamente. O Pe. Cortona contava a propósito uma comparação que o Santo Fundador gostava de fazer: aquela de um rapaz, o qual tendo semeado legumes, ia constantemente verificar o crescimento. Como estes, porém, cresciam pouco, desejoso por vê-I os altos, um dia tirou-os da terra até as raízes, mas naturalmente seca­ram.
Formados por esta constante paciência, os Oblatos de São José percorreram lenta mas eficazmente o caminho traçado para eles pela Divina Providência, organizando paróquias, santuários, oratórios, colégios, orfanatos, e de modo particular missões, ani­mados para isto pela única ambição de servir a Igreja.
Artigo publicado em "Joseph", n. 5, mai.1966, p.65-66
Tradução: Pe. Roberto Agostinho, osj.

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