Ano Marelliano
Arigo da Semana
O APOSTOLADO DOS OBLATOS DE S. JOSÉ NO PENSAMENTO DO FUNDADOR SÃO JOSÉ MARELLO
Arigo da Semana
O APOSTOLADO DOS OBLATOS DE S. JOSÉ NO PENSAMENTO DO FUNDADOR SÃO JOSÉ MARELLO
Pe. Mário Pasetti, osj
1) ORIGENS DO NOSSO CARISMA APOSTÓLICO
Nas suas "Brevi Memorie" , Pe. J. B. Cortona afirma, que o Marello teve bem clara, desde o início, a idéia acerca da finalidade principal da Congregação- honrar S. José, imitando suas virtudes e procurando ter um estilo de vida pobre, humilde, e escondida, como o do Grande Patriarca- mas que ele não teve logo do Senhor uma clara manifestação em quais determinados ministérios deviam ocupar-se os seus filhos. ( Brevi memorie, pp 23-24)
Esta afirmação de Pe. Cortona encontra clara confirmação no primeiro esboço do regulamento, escrito pelo Marello em 1877. Vamos acompanhá-lo juntos ( Lett XCV p. 137):
" A quem por qualquer motivo ( idade avançada, problemas de estudo etc.) não possa aceder ao Estado Eclesiástico e Religioso, e todavia DESEJE SEGUIR MAIS DE PERTO o Divino Mestre com a observância dos Conselhos Evangélicos, está aberta a Casa de S. José, onde, retirando-se com o propósito de permanecer escondido e silenciosamente operoso na imitação daquele grande Modelo de vida pobre e obscura, terá a possibilidade de tornar-se verdadeiro discípulo de Cristo.
O Irmão de S. José não é religioso professo, mas simplesmente OBLATO que se oferece continuamente a Deus para alcançar a perfeição, desapegado de todo terreno gozo de corpo e espírito".
As diretrizes da Companhia de S. José são traçadas pelas Palavras mesmas de N. S. J.C que disse:" quem não renuncia a tudo que possui...quem não renuncia ao amor dos familiares e até de si mesmo, não pode ser meu discípulo"; palavras que encerram os pontos essenciais do Caminho da Perfeição: pobreza, ou seja, renúncia dos bens da terra: castidade, ou seja, renúncia dos prazeres; obediência, ou seja, renúncia da sua vontade.
S. Bento, Patriarca da Vida religiosa no Ocidente, resumiu esta tríplice renúncia com admirável precisão na seguinte regra: Não deve possuir o Irmão algo de seu: nada de nada; não sendo de fato lícito ter à sua disposição nem o próprio corpo e a própria vontade ( Regra de S. Bento Cap. 33).
A casa de S. José, para melhor efetuar o desapego efetivo das coisas terrenas, servir-se-á, para os seus inevitáveis relacionamentos externos, dos Irmão Coadjutores,, os quais no respectivo estado deles, observando o desapego afetivo com a pobreza de espírito, com a mortificação dos sentidos, e com a obediência ao próprio Diretor, poderão ser membros da Congregação e gozar, em troca do serviço temporal prestado aos irmãos Oblatos, a participação a todos os seus bens espirituais".
Assim o esboço. Como se vê, não contém linhas externas de apostolado. Sabemos todavia que, desde os inícios, aqueles primeiros modestos lavradores e operários que o Marello recolheu ao redor de si, dedicaram-se ao estudo do catecismo, ao mesmo Catecismo, e ao serviço do culto nas Igrejas, além dos trabalhos internos do Instituto que os hospedava.
Tinha o Marello recebido alguma nova inspiração a respeito de sua Obra? Sim, mas eis em que sentido. O Espírito de Deus age na Igreja e nas pessoas nos modos mais diferentes, também com inspirações mediatas e sucessivas. Não agiu com inspirações mediatas e sucessivas por exemplo com S. Francisco de Assis, quando lhe falou em S. Damião e depois ainda com o livro santo dos Evangelhos?
Também com o Marello nos encontramos frente a inspirações mediatas e sucessivas. Serviu-se em primeiro lugar do conselho do seu Bispo Dom Carlos Sávio para que aproveitasse os seus Oblatos na ajuda à Diocese como catequistas, sacristães, cantores, mestres do primário. A juventude era abandonada a si mesma, a catequese desertada, os catequistas e as celebrações religiosas eram pouco decorosas.
Não era este um sinal dos tempos para ler e escutar? O Marello leu e escutou, e assim os Irmãos de S. José foram enviados a ajudar o Clero Diocesano.
Existe uma carta do Teólogo Maurício Arpino, Vigário dos Santos Pedro e Paulo em Turim, enviada ao Marello. É de Abril de 1880 e reflete, discretamente, este primeiro momento da Congregação. O Teólogo escreve:
"O reverendo Senhor Canônico, o Vigário de Villafranca de Asti, me disse que V. S. faz um serviço eminente à Igreja, educando jovens para as paróquias, organizados no jeito de uma Congregação com votos simples etc., e sempre considerados filhos do Instituto, do qual saíram. Louvo a idéia e o empreendimento de V. S. Se tivesse alunos para colocar, eu ficaria com um, por agora, mas com a possibilidade de ficar com dois. Tenha V. S. a bondade de me confirmar se isto é possível, porque na próxima semana eu virei para resolver isto em Asti, para conversar acerca dos deveres, que o escolhido teria, e tratar das condições.
Preciso também do endereço de V. S. Eu desde alguns anos, sugeri a Don Bosco a ao Cônego Anglesio este tipo de jovens. Don Bosco não pode, talvez algo conseguirá o Cônego Anglesio, mas não tão logo. Queira me perdoar V. S. pela liberdade, e desde já receba os meus agradecimentos..".
Pe. João Viola, que juntamente com Pe. Bartolomeu Pozzi colaborou ativamente na redação das “Brevi Memorie” de Pe. Cortona, deixou por sua vez uma nota de notícias provindas de Pe. Baratta, que vestiu o hábito dos Oblatos desde 23- 1- 1881:
"Como S. José se dedicou ao serviço da S .Família, assim na primeira finalidade os nossos irmãos deviam atender ao decoro da Igreja, ao seu serviço, ao canto e ajudar os Párocos nas sagradas funções e na catequese. A Congregação não devia estender-se para além da Diocese, e os Irmãos, dois a dois nas Paróquias mais importantes, onde fossem chamados, deviam viver não na casa do Pároco, mas em alojamento próprio, com as ofertas que receberiam do Pároco, da Comissão, ou de pessoas piedosas. Bons sacristães sem ser de peso ao Pároco e sem a cobiça do interesse".
A estes mesmos Irmãos, o Fundador, sempre dócil como era à divina vontade, abriu logo as portas. Ensinava:
Como S. José, vivamos cada dia segundo as disposições da Providência, fazendo o que Ela sugerir" (CFR Cortona,B M Pág. 28).
E ela sugeriu de maneira bastante clara que entre os Irmãos aqueles que pudessem, deviam estudar para se tornarem sacerdotes e aumentar o jeito de servir a Igreja, e sugeriu também os ministérios que estes sacerdotes deviam exercer na Diocese. Leio numa relação da Congregação dos Oblatos de S. José, redigida pelo Pe. Paolo Rosso e revista pelo Pe. Patrício Garberoglio:
Em 1882 um sacerdote pedia ao Cônego Marello de pertencer á pequena Comunidade; este fato foi por ele interpretado como sinal que o Senhor queria algo mais dos Oblatos de S. José; e conseguiu de Dom Ronco, então bispo de Asti, e sucessor de Dom Sávio, a permissão dos Oblatos de S. José, de dedicar-se aos estudos. Então alguns deles foram encaminhados para o estudo ,mesmo os outros permanecendo como leigos catequistas e sacristães.
Pela escassez do Clero, naqueles anos, Dom Ronco pediu ao Cônego Marello que enviasse aquele único sacerdote em qualidade de Ecônomo Espiritual numa pequena Paróquia abandonada, e o Cônego, seguindo o princípio, tão familiar a ele, de nada pedir e nada rejeitar, consentiu logo e assim começou-se a servir a Diocese no ministério de Ecônomo Espiritual, tarefa que nunca foi abandonada, acontecendo até, algumas vezes, que aqueles primeiros Sacerdotes Oblatos de S. José administraram cinco Paróquias vacantes contemporaneamente.
Eram destinados sempre às Paróquias mais pobres, onde outro sacerdote do clero secular não conseguiria viver, ou quem sabe existiam dificuldades particulares.
Com a graça de Deus, sempre se conseguiu acomodar as coisas de forma que, também nas Paróquias mais difíceis, o Bispo, eliminada toda dificuldade, conseguiu sempre enviar Párocos a elas.".
2) EXTENSÃO DO NOSSO CARISMA APOSTÓLICO
No ano de 1883 o Cônego João Batista Bertagna, Vigário geral, e depois bispo auxiliar do cardeal Alimonda de Turim, com o Cônego Marello e o Pe. João Sardi, depois bispo de Pinerolo,e outros benfeitores, pensaram de resgatar a grande construção de S. Chiara, que, pela supressão das Clarissas, tinha caído em mãos de leigos, com a finalidade de implantar aí algumas obras religiosas. Então os Oblatos de S. José foram transferidos para S. Chiara, para manter aberta a Igreja, educar e instruir alguns jovens num pequeno colégio por lá fundado e destinado a ser filial do Seminário Diocesano, e também para ter a Administração e a Direção de todas as outras obras aí instaladas.
Com isso, para os Oblatos de S. José abriu-se um campo para exercitar seu zelo, aquele da educação da juventude, sobretudo daqueles que tinham pendor para o estado eclesiástico e religioso.
Crescendo no entanto o número dos Sacerdotes Oblatos, aumentavam os pedidos para os dias de festa, seja como Capelães festivos nas Igrejas de sítio, seja como Vigários festivos nas Paróquias Pobres, que, quer por falta de clero quer por falta de entradas, não podiam manter um Vigário permanentemente.
Os sacerdotes que não trabalhavam nas escolas ou na Casa, dedicavam-se também à pregação na Quaresma e nas sagradas missões, nas novenas, semanas especiais, Santas “Quarantore” etc. e a ajudar os Párocos, também ao longo da semana, nas ocasiões de maior trabalho.
Mas existe um documento original de Dom Marello sobre este assunto, que eu quero levar ao vosso conhecimento. Escreveu-o em 1895, pouco antes de sua morte. Apresenta com vivacidade a Congregação nas suas novas aquisições apostólicas e na sua perene abertura ao Espírito, segundo os sinais dos tempos.
“Os irmãos de S. José - escreve Dom Marello como sempre gozaram do apoio do Bispo, assim procuraram sempre fazer o possível para não desmerecer, mantendo-se fiéis ao espírito do seu Instituto que os obriga a nunca se recusar a uma obra do sagrado ministério, quando chamados pela Autoridade Eclesiástica”.
Desde 1884 o Bispo empregou os sacerdotes em qualidade de Ecônomos Espirituais das Paróquias vacantes, onde se tornava difícil prover com outros sacerdotes, pelas poucas entradas.
Em 1893 sendo que o número dos sacerdotes alcançou o número de 6, a Congregação conseguiu segurar a Administração espiritual de 5 paróquias. Pela escassez do clero secular e a falta do Clero Religioso, as paróquias careciam de pregadores e confessores, e por isso o trabalho dos Oblatos de S. José era procurado na cidade e nas aldeias dos arredores.
Assim ampliava-se para a Congregação o campo de trabalho.
Além dos sacerdotes, também os Irmãos não ainda “en sacris”, serviam as Igrejas. Na Quaresma e nos dias festivos, davam catecismo às crianças nas várias paróquias da Cidade, servindo também nas sagradas celebrações dos dias festivos.
Para acostumar-se a estes serviços, os Irmãos esmeraram-se no estudo do Catecismo e na forma de ensiná-lo com fruto, e se exercitavam nas sagradas cerimônias e no canto eclesiástico.
Os Oblatos de S. José, tendo aumentado em número, desenvolveram mais o Colégio de Santa Chiara. Em 1888 os alunos já superavam a centena. Juntando a estes os órfãos abrigados na casa, tínhamos um conjunto de 140 jovens instruídos pelos Irmãos nas classes do primário e por Professores formados nas séries maiores. Em 1892 o número alcançou 160 e, não podendo aumentar por absoluta falta de local, pensou-se na abertura de outro Colégio. A Providência ajudou. Adquiriu-se no Município de Frinco um grande Castelo em condições muito vantajosas, e aí começou o Colégio sucursal de Santa Chiara no ano escolar de 1893-94.
Uma parte dos jovens que receberam a primeira educação em Santa Chiara quis entrar na carreira eclesiástica na Congregação de S. José ou em outra Congregação Religiosa ou nos Seminários Diocesanos. Dos que entraram na Congregação de S. José, 43 continuam os estudos, (19 deles já com o curso de filosofia) e 9 fazem o trabalho da Casa como Irmãos Coadjutores. Atualmente em Santa Chiara , há 176 alunos, 10 Irmãos Coadjutores e 4 sacerdotes, tendo assim uma família de 214 pessoas. No Colégio de Frinco há 46 estudantes (incluídos os irmãos), 5 Irmãos Coadjutores, 3 Sacerdotes, 2 pessoas de serviço, ao todo 61.
Assim o documento citado. Como esconder a esta altura que o Venerado Padre, durante a espinhosa questão com a Pequena Casa de Turim, se expôs também pessoalmente para defender como autêntica vontade de Deus as aquisições apostólicas dos seus Oblatos? Escreve Pe. Cortona no Apêndice das suas “Brevi Memorie”: "Dom Marello e eu, em 15 de Dezembro de 1894, fomos para Turim e sem muito tato escutamos de Pe. Ferrero o plano já acima enunciado, da união da Congregação à Pequena Casa, mudando finalidade. Dom Marello respondeu com boas razões que isto era difícil, aliás impossível.
Então pe. Ferrero propôs outra saída: que se desembolsasse à Pequena Casa os gastos feitos para Santa Chiara, e ele deixaria livres os irmãos para fazer o que melhor acreditassem. A quantia pedida foi de 50.000 Liras, e Dom Marello opinou que sobre isto teria que interpelar o Bispo de Asti e os Irmãos. Dom Ronco, quando soube, aconselhou de por como intermediário na questão, Pe. Bertagna, amigo comum. Este aceitou a missão: a reunião mais importante aconteceu em janeiro de 1895 no Bispado de Asti.
Pe. Marchisio, da Pequena Casa, que veio em companhia de Pe. Bertagna, fez duas propostas: ou os irmãos se unem à Pequena Casa com tudo o que possuem, ou procurem compensar a Pequena Casa dos gastos feitos para Santa Chiara. Pe. Bertagna estava inclinado para a união e procurava demonstrar o grande bem que disto tudo podia derivar. Dom Marello respondeu: “Este maior bem deveria conhecê-lo e vê-lo eu mesmo, que tenho o dever de governar a Congregação. Ora eu nesta união não somente não vejo o maior bem para a Congregação, que me custou tantos sacrifícios e à qual eu devo pensar; mas prevejo a destruição. Os Irmãos dificilmente vão renunciar aos seus estudos para se tornarem enfermeiros. A Congregação tem uma finalidade mais nobre, isto é aquela de buscar a saúde das almas; e o Senhor até hoje por isso a abençoou largamente, como atesta o seu desenvolvimento. Com a união, pelo contrário, aconteceria com ela aquilo que acontece com o Rio Po, que no ímpeto da correnteza, entrando no mar, conserva por um pouco a sua água, mas depois esta acaba por se confundir com o mesmo mar." “Escutou?- interrompeu a esta altura Dom Ronco, dirigindo-se a Pe. Bertagna- a comparação é bastante clara" " Se eu procurasse meu comodismo- continuou Dom Marello- diria aos Irmãos para se unirem e assim acabaria minha preocupação e problema, pois eu já tenho uma vasta Diocese para governar: mas por ser fácil demais, este projeto não me parece vir de Deus".
Quanto à perene abertura da Congregação ao Espírito, segundo os sinais dos tempos, eis do Fundador uma última palavra mais que clara, que Pe. Carandino escreveu nas suas anotações: “A nossa Congregação, não tendo um fundador com grande cartaz, como outras tiveram, mas um simples sacerdote cheio de boa vontade sim, mas sem luzes especiais, precisa que seus membros contribuam todos cada um com sua parte e com a prática da virtude e do conselho, e se tornem junto com aquele que tem o nome de fundador, verdadeiros Co- fundadores. Por isso todos nós devemos juntos rezar e trabalhar para a fundação da Congregação, esperando humildemente que Deus nos ilumine manifestando o que Ele quer de nós, e nos dê a força necessária para fazer fielmente a Sua Vontade".
Não se sabe o que mais admirar no Santo Fundador: ou a humildade sem comparação, ou a absoluta fé e abandono na Providência, ou a caridade inteligente que se abre à colaboração dos Irmãos e a todas as possibilidades futuras., sem fechar-se num círculo fechado ou em posições superadas.
3) O ESPÍRITO QUE DEVE ANIMAR O NOSSO APOSTOLADO
Depois de ter discursado sobre nosso Carisma Apostólico, é preciso esclarecer sobre o espírito que o Fundador quis que tivéssemos no nosso trabalho.
Sobre a abertura do nosso apostolado aos sinais dos tempos, já falamos nos números anteriores. Assim também sobre a colaboração que deve reinar entre nós todos, na leitura daqueles sinais e nas corajosas iniciativas correspondentes. São estes os pontos fundamentais e mereceriam serem retomados e tratados mais longamente, sobretudo depois que o Concilio os colocou em realce.
Resta dizer como o nosso deve ser um apostolado de total disponibilidade à Igreja até o sacrifício, de humildade sem buscar posições, de desinteresse generoso, em íntima união com Cristo.
Acerca da disponibilidade além das palavras do Pai, já referidas acima fiéis ao espírito do Instituto que os obriga a nunca recusar-se a uma obra de ministério quando os chama a Autoridade Eclesiástica," existe a carta CCXXI do seu Epistólario: “O economato de Castelvero é preciso aceitá-lo custe, o que custar. Em primeiro lugar para sermos coerentes com os nossos princípios e fazer as contas somente com a Providência, e depois para obedecer, mesmo com sacrifício, à vontade do Bispo, que está nas mãos de Deus e pode servir como meio para conseguir vantagens bem maiores que os prejuízos que queríamos eliminar. Do nosso lado façamos sempre a vontade da Autoridade, e poderemos esperar que Deus, Autoridade suprema, de mil maneiras e em coisas mais importantes, fará que o fiel da balança sem que outros percebam e até às vezes contra a vontade deles, possa pender do nosso lado" Ecônomo de Castelvero foi Pe João Médico. Pe. Pozzi me relatava que Pe. João, para chegar lá no domingo, devia partir de Asti sábado à noite. Chegava lá tão cansado que dava vontade de chorar.
O espírito de humildade tem chamadas de FIORETTI nas cartas CCVIII e CCXLII:
“Pobres Josefinos do Hospício Crônicos. Sacerdotes menores, não são nada, e não têm nenhuma daquelas que se dizem posições para o futuro, e no entanto o Senhor serve-se também de vocês para o bem das almas. Digam mesmo: servi inutiles sumus, mas vão em frente a fazer a parte que a divina vontade, por meio de quem a representa cada dia, vos mostra, e seja mesmo que os homens,videant opera vestra bona e glorificent Patrem vestrum Qui in coelis est". " São Paulo que deseja imitar, deixou escrito : Numquid omnes Apostoli ,numquid omnes virtutes, numquid omnes prophetae, numquid omnes doctores, etc Aemulamini autem charismata meliora. Se Deus quisesse você santo como um S. Felix de Cantalice seria uma grande coisa, e você seria companheiro dele no céu bem acima de muitos doutores. A divina bondade não lhe deixou faltar aqueles dons que servem para formar um bom religioso e um membro operante da Congregação de S. José. Se, à semelhança deste grande Patrono, você tivesse que servir a Jesus em trabalhos mais modestos e inferiores àqueles de S. Pedro, você pensará que o humilde guarda de Jesus está mais alto no céu do que o grande Apóstolo. E ficará contente com aquilo que o Senhor lhe concederá aqui na terra, com a confiança que será fácil, com a graça de Deus, sustentá-lo de formas a receber uma grande recompensa no céu. A quem foi dito: Eu serei a sua grande recompensa? A Abraão, obediente e fiel".
Notem no texto referido aqueles “menores”, evidente paralelo com os Menores do Poverello de Assis.
Quanto ao desinteresse, em Joseph, junho 1923, foi publicando o seguinte testemunho do Pároco de Volpara (Pavia), o teólogo Bartolomeu Diana:" Ajudar os párocos, e não aproveitar das entradas", entre as máximas, saídas da boca de Dom Marello, esta foi aquela que mais me comoveu e deixou muita impressão em minha alma. Parece-me que bastaria a grandeza e altura de tal ideal, tê-lo concebido e em seguida realizado na veneranda Congregação por ele fundada, para dar a ele todo mérito, e inscrevê-lo no rol dos santos. Com esta máxima, Dom Marello vai na frente do Apóstolo que ensina que deve viver do altar, quem presta serviço ao altar, e, com a gratuidade mais simples e mais admirável, une o maior heroísmo de apóstolo com o mais perfeito desapego de todo interesse humano. Não é esta a prática mais verdadeira dos conselhos evangélicos, o ignorar totalmente o que a direita faz em relação com a esquerda, o cume da perfeição?"
E, enfim, íntima união com Cristo. E esta está toda presente naquelas máximas tão queridas ao Fundador e que ele não se cansava de inculcar nos seus filhos: “Cartuxos em casa, e apóstolos fora de casa", “Fala pouco e trabalha muito", “O bem não faz barulho e o barulho não faz bem", onde as frases: cartuxos, falar pouco, não faz barulho, outra coisa não são que a tradução das frases evangélicas:" permanecei em mim e eu em vós; quem permanece em mim este traz muitos frutos".
Aqui estamos, como é evidente, em pleno espírito evangélico: é o Senhor Jesus que nos ensinou a prestar atenção aos sinais dos tempos; é Ele que nos fala do amor que chega até o doar a vida, do primado mas no serviço, de uma mão que não sabe o que a outra faz, de ficar unidos ao Seu Coração.
A Congregação de Dom Marello afunda então as suas raízes no bom húmus do Evangelho. Até quando nós permanecermos fiéis ao bom espírito do nosso Instituto, só poderemos produzir muitos frutos, como já produziram na Itália e fora da Itália, muitos ótimos Confrades.
Artigo publicado em Marellianum – nº 9 ano 1994
Tradução Pe. Mário Guinzoni, OSJ

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