O adolescente José Marello visita Savona e, aos pés de Nossa Senhora da Misericórdia, decide ser padre

No final do ano letivo, por ocasião das férias escolares de 1856, Marello recebeu de seu pai uma viagem à Savona como presente pelos ótimos resultados nos estudos. Era um ótimo presente, pois Savona era uma cidade turística embora não se chegasse até ela com o trem e por isso era preciso ir de Asti a Gênova de trem e dali até Savona de diligência, com freqüentes trocas de cavalos.

Essa viagem ficaria marcada na alma do adolescente Marello, pois dentre tantas novidades para ele era a primeira vez que contemplava o mar, ocasionando-lhe uma imagem que levara consigo a ponto dele próprio desenhar no seu brasão episcopal um mar agitado com o monogramo MA e com a frase “Iter para tutum”

No livro: Dom José Marello, uma Pérola Escondida, o Pe. José Antônio Bertolin descreve este momento num estilo literário narrativo, em que José Marello narra, na primeira pessoa, o ocorrido: 
" Nas férias de 1856, eu tinha terminado de cursar o 1º grau e de modo brilhante. Meu pai, orgulhoso pelo meu bom desempenho resolveu, premiar-me com uma viagem à cidade de Savona. Era a primeira vez que eu faria uma viagem considerada longa, assim como iria conhecer novos lugares e também o mar.

Em Savona passeei bastante e conheci vários lugares, mas particularmente dois destes marcaram profundamente a minha sensibilidade.

Um deles foi o Palácio episcopal onde o Papa Pio VII tinha sido prisioneiro de Napoleão. Ali meu pai explicou-me que o Papa tinha sido feito prisioneiro no dia 06 de julho de 1809 e depois de conduzido, diante do General Miolly, ficou durante 3 anos prisioneiro dos seus inimigos, sendo depois, deportado para a Fontanebleau.

O outro lugar foi o Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia, onde Nossa Senhora tinha aparecido para Antonio Botta no ano de 1536.

Estes dois lugares, marcaram-me de maneira especial. Deixaram-me vibrando de afeição pelo Papa e pela Igreja. Lembro-me que no Santuário, rezei ajoelhado diante da Imagem da Mãe de Deus. Fiz um longo e silencioso colóquio com ela. Não me lembro o que falei, só sei que meu pai já tinha visitado tudo e estava impaciente me esperando. Senti-me tomado e envolvido pela sua proteção e ao mesmo tempo bateu forte dentro do meu coração uma voz, que dizia: Devo ser um padre!"
Neste mesmo Santuário, São José Marello celebrará sua última missa, antes de seu falecimento, no dia 30 de maio de 1895.
"O último compromisso que  cumpri foi precisamente fora de minha diocese  junto aos padres  Escolopianos em Savona por ocasião do 3º Centenário da morte de São Felipe Neri. Embora não me sentisse bem e até fosse aconselhado por meu secretário Pe. Peloso de não ir à Savona, mesmo assim quis honrar o compromisso assumido junto aos bons padres Escolopianos. Viajei para lá de trem e no dia 26 de abril celebrei a missa   solene pela festa de São Felipe Neri, e embora tivesse sofrido um pequeno desmaio, após a celebração tive forças para à tarde dar a benção com o Santíssimo.

No dia seguinte, sentindo-me um pouco melhor fui fazer uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia, onde no distante verão de 1856 tinha sentido o desejo de consagrar-me a Deus para sempre como sacerdote. Ali celebrei a minha última missa. De volta, passei na residência episcopal para saudar Dom Borraggini que apenas tinha chegado de um compromisso fora de sua diocese. Mas, sentia-me mal e parecia-me que tinha uma carapuça de chumbo sobre a minha cabeça, estava exausto embora tentasse não apresentar o meu estado clínico.
Os médicos, Dr. Zunini e Costamagna examinaram-me e desaconselharam que eu voltasse naquele dia para Acqüi, embora eles não tivessem  individuado nada de grave em mim; apenas pediram que eu descançasse. Porém meu estado de saúde se agravou no dia seguinte a tal ponto de chegar a não reconhecer mais ninguém. Todos ficaram alarmados, estava à beira da morte e por isso  bondosamente me deram a unção dos enfermos. Finalmente no dia 30 de maio às 18:30h deixava este mundo e podia contemplar plenamente Deus."

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