A Predileção de Dom Marello: o Apostolado Juvenil


Ano Marelliano - Artigo da Semana (02)

A PREDILEÇÃO DE DOM MARELLO:
O APOSTOLADO JUVENIL

Pe. Mario Pasetti, o.s.j.

A atualização dos Institutos Religiosos, desejada pelo Concílio Vaticano II, para ser verdadeira, deve voltar ao Evangelho e às origens próprias dos Institutos.
O Evangelho nos revela a predileção de Jesus pelos jovens (“deixai que as crianças venham a mim...”) e a sua preocupação em salvaguardar a integridade moral deles, a ponto de lançar um dos seus famosos “ais” contra os corruptores da juventude.
Mons. Marello manifestou esta predileção no seu apostolado. Numa carta escrita ao seu amigo Delaude, pouco tempo depois da sua ordenação, nos faz saber que nos tempos livres do seu oficio ia dar lições de religião aos meninos do internato municipal chamado Vittorio Alfieri, para satisfazer a paixão do apostolado da palavra, da qual ele sustentava estar “doente”.
Logo depois de ter feito conhecer ao amigo Delaude esta experiência de catequese juvenil, ele se saiu com aquela bem conhecida queixa sobre o abandono da juventude: “Oh, pobre juventude, por demais abandonada e rejeitada - pobre geração em crescimento, por demais entregue a si mesma; e depois, por demais caluniada ou, pelo menos, duramente julgada em sua leviandade e na incorreta generosidade, naquela necessidade de ação mal desenvolvida, de afetos mal orientados, pelos quais, sem culpa sua, desvia o passo do caminho reto...”
Na carta 25, endereçada também esta ao amigo Delaude, tratando especificamente do Catecismo, escreve que é urgente voltar ao Catecismo “que faz de um menino de dez anos um profundo pensador...”
De outra carta podemos também relevar a sua preocupação de fazer chegar às mãos dos meninos livros bons para enfrentar um grande mal da imprensa nociva, que naquela época já defendia as seduções do vicio e oferecia o veneno das falsas máximas.
Mas de onde provinha ao Marello toda esta predileção pelos jovens e esta preocupação de assegurar a eles uma sólida educação cristã? Podemos assegurar que toda esta atenção pela juventude lhe vinha da sua amarga experiência pessoal; quando ele tinha dezoito anos, ele estava numa situação de agitação e perigo. Em algumas de suas cartas lemos que foi atormentado por uma crise de indiferença e de fé; sabemos também que interveio a doença para fazê-lo refletir. O epistolário do Fundador dos Oblatos de S. José nos faz descobrir algumas experiências amargas que fez sofrer o jovem Marello. Estas experiências lhe devolveram a sensibilidade para com a situação da juventude insidiada por homens que, ao invés de levantar o ânimo para nobres ideais, aviltam-no com atrações mesquinhas.
As fontes mais ricas e mais precisas sobre a concepção Marelliana do apostolado juvenil são a pastoral de 1892, referente à educação dos jovens, e aquela de 1894, que tinha como tema o Catecismo.
Eram estes os temas que mais o apaixonavam. Interessava-lhe ditar a todos os educadores os critérios para formar os jovens, para desenvolver uma catequese juvenil; conseguiu formular algumas normas, que ainda são atuais, servindo-se de um estilo simples e incisivo.
Na pastoral sobre a educação aos jovens ele põe, logo no inicio, a distinção entre a instrução e a educação, dizendo que a primeira se relaciona com a inteligência enquanto que a segunda se refere também ao coração.

Aos pais lembrava que eram eles os primeiros educadores dos filhos; punha, além disso, a educação religiosa como fundamento de todas as outras disciplinas. Também recomendava aos pais que dessem credibilidade aos princípios, que comunicavam aos filhos, com o testemunho de vida. Insistia sobre o cuidado e a assistência a prestar aos filhos não só entre as paredes domésticas mas também fora de casa, para ampará-los na sua fraqueza, que os inclina a desertar; a correção era um remédio para os caídos e (Marello) aconselhava a proporcionar repreensões assim como prêmios e louvores.
Como bom psicólogo, Mons. Marello aconselhava o educador a estudar a índole de cada menino para assentar a formação sobre as exigências pessoais de cada sujeito. Numa obra, que ele definia como sobre-humana, colocava como base o apelo ao Senhor para obter uma indispensável assistência divina.
Na sexta pastoral, dedicada ao Catecismo, Mons. Marello ensinava que, para alcançar o fim sobrenatural, era necessário que Deus se fizesse conhecer. Desta premissa derivava a necessidade da revelação.
O Catecismo, no ensinamento do Fundador dos Oblatos de S. José, é um meio que leva ao cristão a revelação.
Ele notava como só a cultura da mente não podia bastar para conseguir a perfeição moral do homem mas pedia a indispensável contribuição da religião que determina a conduta moral para com Deus e para com o próximo. Os critérios de sabedoria e de vida, que iluminam a sociedade, estão contidos no Catecismo, que precisa ser comunicado às novas gerações.
O estilo particular que os Oblatos de S. José deviam mostrar no apostolado juvenil era aquele do Protetor mesmo, que o Fundador tinha indicado como modelo: o amor, o cuidado e o zelo de S. José por Jesus adolescente deviam inspirar aos apóstolos josefinos cuidado e dedicação particular pelos jovens a eles confiados.


Artigo publicado em Marellianum – nº 10 ano 1994  pg 7 e 08
Tradução Pe. Giovanni B. Erittu, OSJ

Nenhum comentário:

Postar um comentário